Solto a voz e,
com a voz,
meu clamor
«São feitas de esferas
as
figuras lunares
de esferas e lagos, ao mesmo
tempo
Vestidas de prata,
as
figuras,
se inclinam
sobre as estrelas
indistintos pontos em distinto enigma
extasiadas formas em firmado movimento
formuladas fórmulas de continuidade intrépida,
as figuras,
são divindades inscritas
no nosso tempo.»
Levemente
Murmurando
Mal ousando tocar na
pétala
da flor rubra
recolhida
que me fora dada às
mãos
Escuto,
entre as etéreas porções de âmbar
que se desprendem
dos rochedos,
as imaginárias terras
de azulados céus
que se liquefazem no horizonte
em insondáveis sinfonias
abençoadas
secretas
colossais.
(A cadência
aproxima-se…)
A cadência
acontece e cresce
onde há a
criação de contos
de
lombadas imperecíveis
antecedida
por claridades e signos
Colinas tangentes
da luz.
A abóbada é
grande
alongada
abundante
tão
imperscrutável que me cinge
de
evanescentes frotas
sem dimensão
Como só os
olhos
de teus olhos
me desvelam
em
incandescentes cristais.
Conto os
contos que nos contam
incontáveis
Leio
atentamente o diálogo
as
passagens redigidas
a existência revelada
uma
linguagem fluente.
(A cadência perpetua-se…)
Brandamente
Flutuando
Mal ousando pronunciar a
linguagem
sem dimensão
das esferas.
Solto os
braços e,
com os braços,
minha voz
«São feitas de prata
as
combustões lunares
de prata e trevo, ao mesmo
tempo
Vestidas de enredos,
as combustões,
se
inclinam
sobre as estrelas
indistintos blocos em indistinta
súmula
extasiadas formas em firmado lançamento
formuladas fórmulas sobre côncavos
tecidos,
as combustões,
são inscrições divinas
no firmamento.»
Imagem: Source bleue by J.Ota

